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Sérgio Pozzetti, carioca formado em pedagogia, cresceu como muitos brasileiros: apaixonado por futebol. Desde pequeno, ele torce para o Fluminense, mesmo tendo começado a acompanhar o time em uma das fases mais difíceis de sua história, na terceira divisão do futebol nacional. A primeira vez que Sérgio foi ao Maracanã, em 1999, assistiu a uma derrota do Fluminense para a Anapolina com o estádio praticamente vazio. Ainda assim, ele se tornou tricolor de coração.

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Na juventude, Sérgio começou a explorar outros esportes. O sobrepeso o levou ao jiu-jitsu, e foi aí que ele se abriu para o mundo das artes marciais. Mais tarde, passou a acompanhar basquete, mesmo com as dificuldades de não ter acesso fácil aos jogos na TV aberta. "Pegava quando passava na Band ou na RedeTV", relembra. Embora tenha gostado, não foi algo que o fisgou por completo.

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O grande ponto de virada veio por volta de 2011, quando Sérgio teve seu primeiro contato com o futebol americano. Apresentado ao esporte por um amigo torcedor do Atlanta Falcons, ele começou a assistir jogos da NFL. Seu primeiro jogo foi justamente do Falcons contra o Cincinnati Bengals, em que Atlanta venceu com dois touchdowns de Julio Jones. Apesar disso, Sérgio não sentiu aquela conexão imediata com o time do amigo.

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A paixão pelo futebol americano surgiu pouco tempo depois, ao assistir a um jogo do Green Bay Packers contra o Houston Texans, em que Aaron Rodgers lançou para seis touchdowns, em 2012. "Foi ali que tudo mudou", diz Sérgio, que ficou encantado com a performance do quarterback. Ele já conhecia um pouco sobre a liga por meio de matérias na revista Lance, que destacava os feitos de Drew Brees e do New Orleans Saints, campeões da temporada de 2009. Mas foi com os Packers que ele sentiu o coração bater mais forte.

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​Sérgio viveu intensamente sua paixão pelo Green Bay Packers desde que descobriu a franquia em 2012. A conexão foi imediata, e ele mergulhou de cabeça no universo da NFL. O grande motivo para a conexão do pedagogo com o time de Wisconsin tem nome e sobrenome: Aaron Rodgers. O talento e a capacidade do quarterback de lançar passes a longa distância, de uma forma quase nunca vista anteriormente, encantou o carioca. 

 

Durante esses anos, Sérgio experimentou altos e baixos como fã, celebrando vitórias épicas e lamentando derrotas dolorosas. Assim como o Davyd, Sérgio coloca a derrota para o Seahawks na final de NFC de 2014 como um momentos mais difíceis como um cheesehead:"foi doloroso demais. A gente tinha o jogo nas mãos. O conservadorismo do Mike McCarthy, aquele onside kick que o Bostick dropou... Era pra ser nosso. Rodgers jogou machucado e, mesmo assim, a gente deixou escapar.”

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Entre os momentos de glória, Sérgio relembra a vitória sobre o rival Chicago Bears na semana 1 da temporada de 2018. Naquela noite, os Bears começaram dominando no Lambeau Field, abrindo 10-0 no placar. Em uma terceira descida, Aaron Rodgers foi pressionado e sofreu um sack do defensor Roy Robertson-Harris, que caiu por cima do quarterback, forçando-o a sair de campo lesionado. No fim do segundo quarto, Khalil Mack, a grande estreia da noite pelos Bears, brilhou ainda mais ao interceptar o QB reserva DeShone Kizer e retornar até a endzone, ampliando a vantagem dos rivais para 17-0.

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No início do segundo tempo, o quarterback Mitchell Trubisky liderou os Bears até um field goal, ampliando a vantagem para 20-3. Foi então que Aaron Rodgers retornou ao campo, mostrando estar em condições de jogo. No primeiro drive de sua volta, os Packers marcaram um field goal. A defesa de Green Bay conseguiu segurar o ataque de Chicago, devolvendo a bola para o time mandante. Desta vez, Rodgers conduziu um drive de quase três minutos, que terminou em uma jogada espetacular. Ele encontrou o recebedor Geronimo Allison em um passe de 39 jardas direto para a endzone. A recepção foi incrível, com Allison usando apenas a mão direita para segurar a bola contra o corpo. Após o extra point, o placar ficou em 20-10.​

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A defesa dos Packers voltou a brilhar, forçando um three-and-out e devolvendo rapidamente a posse para Aaron Rodgers. Começando na linha de 25 do próprio campo, Rodgers encontrou seu alvo favorito, Davante Adams, em um passe de cerca de 15 jardas. Porém, Adams estava em ótima posição e transformou a recepção em uma impressionante corrida até a linha de 25 do campo adversário, totalizando uma jogada de 50 jardas. Em apenas mais duas jogadas, os Packers cruzaram a endzone, novamente com Davante Adams sendo acionado. O placar agora mostrava 20-17 para os Bears.

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Com 9 minutos restantes, os Bears estavam determinados a avançar e queimar relógio usando de corridas. A equipe conseguiu chegar à zona de pontuação, forçando os Packers a gastar seus timeouts.Porém, em uma terceira descida curta, os Bears não conseguiram avançar e optaram pelo field goal. Cody Parkey converteu a tentativa, ampliando a vantagem para 23-17. Mas ainda havia 2:39 no relógio para Aaron Rodgers — tempo demais.

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Na primeira sequência de jogadas do drive decisivo, os Packers enfrentaram uma terceira descida para 10 jardas. Rodgers, mostrando sua calma e leitura de jogo, esperou as rotas se desenvolverem e encontrou Randall Cobb pelo meio do campo, um pouco além da linha do first down. O recebedor, aproveitando os espaços e uma excelente sequência de bloqueios, disparou. Cobb atravessou o campo inteiro, transformando a jogada em um touchdown espetacular de 75 jardas. Com o extra point convertido, os Packers viraram o placar para 24-23. A bola voltou para Chicago, mas nada feito. Vitória espetacular do Green Bay Packers.

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Com Rodgers, tudo foi muito intenso. Tanto as derrotas, quanto as vitórias. Um Super Bowl no início da trajetória tornou o futuro mais promissor ainda, mas que não teve mais títulos. Sérgio, que tem Rodgers como grande ídolo do futebol americano, comenta sobre os problemas que envolveram a trajetória do Rodgers e como foi o "término". 

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​Sérgio relembra que quase surtou quando os Packers decidiram escolher Jordan Love no Draft, em vez de reforçar os alvos para Aaron Rodgers. No entanto, ele admite que o desempenho de Love tem sido positivo, mesmo que ainda não tenha se acostumado com o novo estilo. O pedagogo carioca reconhece que estava "mal acostumado" com Rodgers, conhecido por proteger bem a bola e fazer passes seguros. Já Love tem um estilo mais agressivo, ousado e, por vezes, imprudente, o que resulta em um número maior de interceptações.

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Love tem mostrado evolução jogo após jogo, mesmo estando apenas em sua segunda temporada como titular. Sérgio acredita que o jovem quarterback tem potencial para conduzir os Packers ao Super Bowl, especialmente após o desempenho promissor contra o San Francisco 49ers na temporada de 2023. Para este ano, suas expectativas são de que o time alcance, no mínimo, a final de conferência.

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Quando surgiram os primeiros rumores de que a NFL realizaria um jogo no Brasil, Sérgio imediatamente avisou seu cunhado, também fã de futebol americano, de que eles estariam juntos no estádio. E quando foi anunciado que o adversário dos Eagles seria o Green Bay Packers, Sérgio foi à loucura.

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​No dia da venda dos ingressos, Sérgio estava na academia onde trabalha. Ele avisou aos colegas que chegaria mais cedo para tentar garantir as entradas e pediu para que ninguém o procurasse às 10h, horário do início das vendas. Assim que acessou o site da Ticketmaster, entrou na fila de espera virtual, que levou cerca de cinco minutos. Quando percebeu, já estava na página para realizar a compra. Embora não tenha conseguido as meias-entradas, Sérgio garantiu duas entradas inteiras para ele e o cunhado. Foi nesse momento que ele começou a perceber que o sonho estava se tornando realidade.

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Ao saber que o pai e o tio iriam para São Paulo assistir a uma partida da NFL, o sobrinho de Sérgio — que é como um filho para ele — ficou animado e quis participar da viagem. Com isso, a irmã de Sérgio, mãe do garoto, decidiu acompanhá-los. Porém, na semana do jogo, ela desistiu de ir. Apesar disso, arranjaram outra pessoa para cuidar do garoto no horário da partida. Mesmo sem ingresso, ele insistiu em viajar para São Paulo e viver a experiência ao lado do tio.

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O grupo chegou à capital paulista na tarde de sexta-feira, dia do jogo. Sérgio aproveitou para descansar antes de se preparar para o momento tão aguardado. Ele descreve o dia como o mais feliz de sua vida. Segundo ele, a organização do evento foi impecável, o estádio era incrível e a atmosfera criada pela NFL dentro da Neo Química Arena tornou tudo ainda mais especial. Para o carioca, foi uma experiência inesquecível.

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Após o fim do jogo em São Paulo, Sérgio virou para o cunhado e comentou: “A próxima parada tem que ser o Lambeau Field." Para o carioca, visitar a casa do Green Bay Packers é mais um sonho que ele ainda pretende realizar.

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Para Sérgio, ser torcedor do Green Bay Packers é poder ir do céu ao inferno ou do inferno ao céu em questão de minutos ou de um quarto da partida. É emoção o tempo inteiro, você cria expectativas sobre o time. Mesmo com mudanças de quarterback e treinador ao passar dos anos, os Packers sempre conseguiram se manter presente em pós-temporada, e aposta em uma ida ao Super Bowl dentro dos próximos dois anos. Sérgio também confia na magia da passagem de bastão Favre - Rodgers - Love. Ele acredita que mesmo com altos e baixos, no fim, tudo da certo.

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"Foi o dia mais feliz da minha vida"

Sérgio Pozzetti, com a camisa do Green Bay Packers, ao lado de seu cunhado, torcedor do San Fracisco 49ers, no jogo entre Packers e Eagles. (Foto: Arquivo pessoal)

Os problemas de Aaron Rodgers e o término
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O anúncio da vinda dos Packers
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Reação de Sérgio ao conseguir os ingressos
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O sonho de ir ao Lambeau Field
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A entrada do elenco do Green Bay Packers para a partida contra os Eagles em São Paulo. (Vídeo: Acervo pessoal)

Trecho do hino nacional cantado por Luísa Sonza no pré-jogo da partida. (Vídeo: Acervo pessoal)

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